sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Brasileiros nascidos a partir de 90 são viciados em tecnologia, diz estudo

 

Estudo anual da Ericsson pesquisa comportamento do usuário e “ajuda a mapear os caminhos que a sociedade conectada vem trilhando no mundo”

Um estudo feito pela Ericsson mostra que os brasileiros nascidos a partir de 1990 são extremamente dependentes da tecnologia. Atualmente, 20% desta geração é usuária de smartphone e 41% utiliza banda larga móvel em algum dispositivo (celular, smartphone, tablet, notebook ou desktop).

O estudo anual, chamado “Infocom Brasil 2012”, do ConsumerLab, área da Ericsson, pesquisa o comportamento do usuário e “ajuda a mapear os caminhos que a sociedade conectada vem trilhando em todo o mundo”, de acordo com a empresa.

A pesquisa, realizada apenas com jovens brasileiros, possui dados interessantes: 9 em cada 10 possuem um aparelho celular, 70% têm um computador em casa e 61% já possuem banda larga em suas residências. Além disso, quase metade passa mais de três horas por dia conectado e somente 8% deles ainda não são usuários de internet. Eles não se desconectam nem mesmo assistindo televisão, já que acessam as redes sociais e interagem enquanto consomem conteúdo (48%).

Os jovens entrevistados usam SMS todos os dias para diversas finalidades (83%) e gostam tanto de teclar quanto de falar ao telefone (92%). A geração também participa ativamente das redes sociais: 89% deles fazem uso de pelo menos uma rede social e mais de 64% a acessam diariamente. A pesquisa também mostra que o público prefere conteúdo gratuito. A maioria (58%) faz download de músicas e filmes de graça, enquanto somente 37% paga pelo download de algum tipo de conteúdo. “Além disso, os jovens também valorizam o novo, não gostam de barreiras e não estão preocupados com estabilidade. São criativos, inteligentes, tolerantes, flexíveis e abertos. Gostam da gratificação instantânea e da novidade”, afirma a empresa.

Para eles, os produtos eletrônicos são apenas um meio para a experiência tecnológica, e sua principal preocupação é com a qualidade e validade do conteúdo. Preferem se comunicar por chat (62%) ou SMS diariamente do que via e-mail (56%), e, de acordo com a companhia, fazem parte de um grupo questionador, mas que sabe ouvir. “É a chamada geração do diálogo, que precisa receber feedback constante e que aprecia, também, expressar seu ponto de vista”, diz a Ericsson.

Fonte : IDG NOW

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Tablets e a lição das crianças da Etiópia


Recentemente, correu no mundo a notícia da experiência realizada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que distribuiu 40 tablets para crianças analfabetas de duas aldeias da Etiópia. Com idades entre 4 e 11 anos, elas nunca frequentaram a escola e jamais tinham entrado em contato com qualquer equipamento eletrônico. Os tablets foram entregues com diversos aplicativos instalados para entretê-las, como jogos, filmes, desenhos e alguns específicos de alfabetização para ensiná-las a ler e escrever.
Nicholas Negroponte, co-fundador e professor do Laboratório de Mídia do MIT, autor da ideia, buscou provar com o projeto que as crianças podem ser autodidatas. E de fato, após apenas sete meses, algumas delas já escreveram suas primeiras letras e palavras. Mas, por não oferecer nenhuma orientação pedagógica, o experimento mostrou-se limitado, pois sem o acompanhamento de um professor as crianças não foram capazes de entender o significado do que liam.
Qualquer iniciativa que estimule a curiosidade para aprender é, sem dúvida, louvável. Mesmo que o principal objetivo seja provar a capacidade das crianças de se desenvolverem sozinhas, como foi o caso do MIT. O entusiasmo delas com o projeto e os resultados alcançados mostram, por si só, como as tecnologias de informação e comunicação podem ser aliadas poderosas e até mesmo indispensáveis na formação dos nativos digitais (essas crianças, aliás, nem mesmo sabiam que eram nativas digitais). As novas tecnologias desempenham um papel cada vez mais preponderante no novo desafio dos educadores: transformar o formato ainda industrial das salas de aula para um ambiente capaz de motivar o aprendizado, além de promover uma educação de qualidade para uma geração movida a bits e bytes.
O uso das tecnologias digitais como recurso pedagógico e o conhecimento dos docentes em como aproveitá-las é ainda incipiente. Em uma pesquisa recente realizada pela Fundação Telefônica – intitulada “Gerações Interativas Brasil – Crianças e adolescentes diante das telas”, que entrevistou quase 2 mil crianças de 6 a 9 anos e mais de 2,2 mil jovens de 10 a 18 anos de todo País -, 40% dos jovens afirmaram que nenhum professor usa a Internet em aula e apenas 11% disseram ter aprendido a navegar com um professor.
É preciso ter claro que a transição para essa nova escola, digitalizada, interconectada, multidisciplinar, capaz de desenvolver uma didática em que se pratica uma aprendizagem baseada em projetos e além das fronteiras das salas de aula, não é apenas uma consequência das revoluções que as novas tecnologias estão trazendo para todas as áreas do conhecimento.
A escola do futuro, que precisa começar a ser construída ontem, reflete a necessidade que as empresas têm de encontrar profissionais realmente preparados para um mercado de trabalho em constante evolução. Empresas não querem mais profissionais alienados que sejam simples repositórios de conteúdos inúteis no cotidiano corporativo.
Conhecer as novas tecnologias, se comunicar e se relacionar bem, ter habilidades para pesquisar e bom raciocínio lógico, além de administrar o tempo produtivamente, buscar qualidade de vida e ser socialmente responsável são alguns dos principais atributos que os headhunters [caçadores de talentos] buscam nos talentos deste novo mundo empresarial. E a escola precisa acompanhar estas mudanças para que cumpra sua função social de preparar cidadãos que consigam iniciar suas vidas profissionais e conquistar carreiras bem sucedidas.
Ninguém discutia a importância da lousa, dos livros, dos cadernos, dos lápis, réguas, borrachas e canetas esferográficas como ferramentas de aprendizado. E não haverá razão, da mesma forma, para questionarmos os benefícios das lousas digitais, tablets, smartphones e bibliotecas virtuais.
Das inscrições rupestres nas cavernas até a invenção de Gutenberg se passaram dezenas de milhares de anos. Já o ritmo do surgimento de novas invenções e tecnologias a partir do nascimento da Internet é alucinante. Saber utilizá-las e, mais do que isso, a partir delas criar novas estratégias para ensinar e aprender é o desafio que já não nos espera. É um desafio que precisamos correr para superar e para não ficar para trás.
                                                                                                Por Luciana Maria Allan
Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) com
especialização em tecnologias aplicadas à educação

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Em maio, evento em SP vai discutir Educação 3.0


“A tecnologia na educação é um caminho sem volta”. É assim que Marcos Melo, organizador do evento, resume o espírito da a 20ª Educar Educador, que vai acontecer entre os dias 22 e 25 de maio, em São Paulo. Tendo como tema central “Educação 3.0. A Escola do Futuro chegou?”, seis eventos pedagógicos serão divididos para a realização de palestras, talk shows e mesas de debates, além de uma feira internacional para expor centenas de empresas educacionais. “A  nossa maior preocupação é conscientizar todos os profissionais da educação, da rede pública e privada, para que eles possam instruir os alunos da melhor maneira possível, caso contrário, os alunos vão acabar ensinando os professores”, afirma Melo.
“Se você der nas mãos de um aluno um tablet para ele clicar e ver uma apostila, vai continuar sendo uma apostila. Então, vai continuar sendo uma forma retrógrada de ensinar. O professor precisa conhecer a tecnologia para incentivar o aluno a criar, inventar”, afirma Marcos Meier, psicólogo e matemático que dará uma palestra cujo nome é: Quanto Menos Fizermos Pela Educação Brasileira, Mais Distante Estaremos do Futuro. Para ele, a tecnologia será uma grande aliada dos professores na hora de adiantar o conteúdo para dar ao aluno exemplos práticos de como aplicar seu conhecimento. “Ao invés de o professor gastar quatro anos ensinando continhas, ele ensina em algumas aulas o uso da calculadora e começa a fazer contas mais práticas como as compras de geladeira e cálculos de juros simples.”
Além dele, mais de 150 palestrantes estarão reunidos para discutir outros assuntos relacionados à educação brasileira e mundial, como educação financeira nas escolas, as novas exigências que os docentes encontrarão pela frente, o uso de jogos para ensinar e a internet como instrumento de aprendizagem. E não pense que os temas serão só em torno da sala de aula e do uso de tablets. O filósofo Leonardo Boff dará uma palestra chamada Sustentabilidade na Reinvenção da Educação na Visão de Um Apaixonado Pelo Criador e Pela Criatura, o publicitário Washington Olivetto vai falar do poder transformador de uma grande ideia e da influência que Monteiro Lobato teve em sua vida. O político e engenheiro Cristovam Buarque vai questionar a infraestrutura intelectual brasileira e como corresponder às exigências dos tempos atuais.
Os Congressos Internacionais da Educar Educador estarão subdivididos em:
20º Educador - Congresso Internacional de Educação.
10º Avaliar - Congresso Internacional sobre Avaliação na Educação.
9º Educador Management - Seminário Internacional de Gestão em Educação.
8º Infância&Cia - Congresso Internacional de Educação Infantil e Séries Iniciais.
3º Educatec - Fórum Virtual Educa de Tecnologia e Inovação em Educação
2ºProfitec - Congresso Internacional sobre Educação Profissional e Tecnológica.
A feira de exposições de empresas e projetos educacionais é gratuita e aberta ao público. Mas para assistir as palestras, é preciso se inscrever e fazer o pagamento pelo site. Os pacotes variam de R$300,00 para assistir 2 palestras até R$ 650,00 para acompanhar toda a programação do evento.

Evento no Texas vai reunir inovações em educação


A Campus Party terminou, mas um outro grupo de nerds, lá nos Estados Unidos, já começa a preparar as malas. O famoso evento de tendênciasSXSW (South by Southwest Conference), que há anos reúne pessoas envolvidas com música, cinema e interatividade, vai ganhar sua terceira edição voltada para a educação. Dos dias 4 a 7 de março, no Texas, oSXSWEdu vai contar com a presença de nomes como Bill Gates, fundador da Microsoft, Andrew Ng (co-fundador do Coursera) e o presidente do EdX, Anant Agarwal. “Quando começamos a pensar sobre a educação, parecia que ela estava, finalmente, entrando num período de reinvenção e modernização significativa. A marca SXSW é tudo sobre criatividade e inovação, portanto, sentimos que poderíamos ajudar a desenvolver as conversas importantes que precisam ocorrer nesse campo”, diz o responsável pelo evento, Ron Reed.
De acordo com Ron, a expectativa desse ano é que mais de 4.000 pessoas estejam presentes no evento, participando das palestras, workshops e assistindo aos filmes. “Em geral, SXSWedu celebra inovações na aprendizagem. A tecnologia é um aspecto importante nisso, mas também estamos olhando para as experiências impactantes, estratégias e ferramentas que ajudam a impulsionar a transformação da aprendizagem”, afirma Reed. Para discutir os temas educacionais mais quentes do momento, estarão: Crystal Hutter, fundador da Edmodo, para falar sobre a mudança que os conteúdos digitais vão trazer para as salas de aula; Michael Horn, diretor-executivo da Innosight Institute, para levantar a questão sobre o perigo de a educação se tornar uma mercadoria, em detrimento do processo criativo e o co-fundador da Good, Casey Caplowe, vai abordar os benefícios do aprendizado por meio da prática. Além desses convidados, outros nomes de peso como o famoso designer gráfico John Maeda e a fundadora do EdSurge, Betsy Corcoran, vão debater blended learning (ensino híbrido), aprendizagem baseada em games, MOOCs, engajamento cívico e ensino por meio de aplicativos móveis e outros temas que vão permear o evento.
Grandes e novas ideias
Jon Reed deixou claro que um dos compromissos do evento é ajudar os educadores a aprender novas estratégias que podem fazer a diferença na sala de aula. Para isso, o SWSEdu vai promover uma competição entre startups de educação. O LAUNCHEdu vai permitir que os novos empreendedores apresentem seus produtos para um júri de empresários de sucesso e outros profissionais da educação. “Nossa definição de uma startup promissora inclui vários fatores: uma boa equipe de gestão, capacidade de transmitir um modelo de negócio viável e usuários ativos que tenham um compromisso de métricas de adoção”, afirma Reed sem deixar de completar: “De um modo mais amplo, nós celebramos originalidade, criatividade e paixão na resolução de problemas do mundo real que os educadores enfrentam”.
E a quantidade de ideias parece grande, já que 30 startups foram selecionadas como finalistas do evento. Estão entre elas:
KinderTown - loja de aplicativos educacionais e guia de ensino para ajudar os pais ocupados, oferecendo aprendizagem por meio de jogos. Disponível para download gratuito na APP Stores, o KinderTown recomenda os melhores aplicativos educacionais para crianças de pré-escola e de ensino fundamental.
NoRedInk – plataforma que ajuda os alunos a melhorar sua gramática, habilidades de escrita por meio da aprendizagem adaptativa e personalizada. A plataforma gera um feedback instantâneo que aponta os interesses e o progresso de cada estudante.
TeachingChannel ­– um canal de ensino que funciona como uma comunidade para educadores que desejam se aperfeiçoar. Com mais de 250 mil usuários ativos, o projeto inclui vídeos de alta qualidade, bibliotecas e ferramentas que podem auxiliar na elaboração de suas aulas.
Seja lá qual for o vencedor, Reed se diz satisfeito com o impacto que o evento tem causado. Para ele, o que tem sido mais emocionante é observar que, mesmo num momento de contenção orçamental, todos os participantes estão motivados e pretendem gerar grandes mudanças. “Eles realmente acreditam que podem aprender com seus pares, além de ter novas ideias que irão melhorar o seu mundo do ensino e da aprendizagem.”
Fonte: PORVIR

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Do celular para as redes: conheça aplicativos para publicação de vídeos na web


Com a popularização dos smartphones, ficou muito fácil capturar vídeos ou fotos. E com os aplicativos certos, em poucos segundos é possível ter esse material compartilhado com seus amigos em todo o mundo, pelas redes sociais. Selecionamos quatro apps que permitem gravar imagens, editá-las e publicá-las e poucos segundos em serviços como YouTube, Facebook ou Twitter.
YouTube Capture
Ferramenta oficial do Google para seu popular serviço de compartilhamento de vídeos, o app Capture conecta com facilidade o smartphone a contas de usuários do YouTube. Depois de fazer o login com seu e-mail e senha (os mesmos usados para serviços como o Gmail), é possível ter acesso a recursos para a melhoria dos vídeos capturados, com correção de cor e estabilizador de imagem. Feitos os ajustes, ele permite compartilhar suas gravações diretamente com o Facebook, Google+ e Twitter, além do YouTube, claro.

É possível configurar o programa para que as gravações iniciem e parem sempre que você girar o aparelho para o modo paisagem. Capturada a cena, basta colocar um nome e, caso desejar, cortar trechos e inserir uma trilha sonora. Permite gravação em HD (720p).
Grátis para iOS
Qik
Aplicativo cheio de recursos que pode ser integrado ao Facebook, Twitter ou YouTube, para a publicação direta de vídeos. Ao contrário de outros softwares, sua câmera permite dar zoom nas imagens, além oferecer vários efeitos especiais que deixam a filmagem com cenas duplicadas, acrescentam espirais, esticam os elementos ou dão à cena um ar de antiga. Assim que você termina o vídeo, ele já começa a fazer o upload para o seu perfil na rede do Qik e para os outros serviços selecionados pelo usuário. E o resultado também pode ser enviado por Video Mail, uma mensagem de correio eletrônico com o link direto para o seu arquivo publicado. Inclui recurso de chat com vídeo via internet.
Grátis para iPhone Android
Viddy
Mistura de rede social com serviço de vídeo, oferece a publicação de filminhos em serviços como Facebook, Twitter, YouTube e Tumblr, além de na própria rede do Viddy. Os vídeos feitos pelos usuários ganham trilha sonora pop, podem ter trechos excluídos e configurados para serem exibidos apenas para os seus amigos ou para qualquer um. O usuário também pode acrescentar tags e marcar sua localização. Com recursos de várias outras redes, ele permite seguir outras pessoas, curtir vídeos, deixar comentários e ver a lista dos assuntos mais falados no momento. Mas tem uma limitação importante: os vídeos só podem ter até 15 segundos.
Grátis para iPhone Android
Twitvid
Programa bem simples, que trabalha apenas com Facebook e Twitter. Logo que abre o aplicativo, o usuário escolhe em qual serviço deseja publicar seus filmes. O app carrega automaticamente as informações de sua conta e solicita que o usuário selecione um vídeo já armazenado em sua biblioteca ou que faça um novo. Aí é só colocar um texto, categoria e localização e escolher onde pretende publicá-lo. Ele acrescenta um link que remete para o vídeo no serviço Telly, além do texto selecionado. Inclui uma lista dos vídeos mais vistos na rede do Twitvid.
Grátis para iOS e Android
Ampliar

Aplicativos para smartphones: veja dicas de programas úteis e divertidos 65 fotos

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Com a popularização dos smartphones, ficou muito fácil capturar vídeos ou fotos. Separamos quatro apps que permitem gravar imagens, editá-las e publicá-las em poucos segundos em serviços como YouTube, Facebook ou Twitter. Clique em "MAIS" para ver a seleção Reprodução

"Todos perdem quando a pesquisa não é colocada em prática"


No campo do ensino da Matemática, poucos nomes são tão respeitados quanto o de Gérard Vergnaud. Aos 75 anos de idade e depois de orientar mais de 80 teses de mestrado e doutorado, ele continua trabalhando como diretor emérito de estudos do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS, na sigla em francês), em Paris. Formado em Psicologia, fez a própria tese de doutoramento com ninguém menos que Jean Piaget. "O título era A Resposta Instrumental como Resolução de Problemas. Pura teoria", lembra Vergnaud. De lá para cá, passou a se dedicar cada vez mais aos aspectos práticos - a didática da disciplina. Sua descoberta mais importante é a chamada Teoria dos Campos Conceituais, que ajuda a entender como as crianças constroem os conhecimentos matemáticos. "Infelizmente, na Educação, não temos o hábito de levar o resultado das pesquisas para dentro da sala de aula, como fazem regularmente médicos e outros cientistas, e isso é uma perda muito grande para nós", diz. Em outubro, ele vem a São Paulo a convite da Fundação Victor Civita para falar sobre seus estudos durante a Semana de Educação. Saiba mais por que é tão importante conhecer os processos de aprendizagem dos alunos na entrevista a seguir, concedida no fim de abril, quando Vergnaud esteve na capital gaúcha para prestar consultoria a professores locais.
O que é, resumidamente, a Teoria dos Campos Conceituais? 
GÉRARD VERGNAUD O resultado de muita pesquisa com estudantes, que nos leva a compreender como eles constroem conhecimentos matemáticos. Ela é fundamental para ensinar a disciplina, pois permite prever formas mais eficientes de trabalhar os conteúdos. Na minha palestra, quero mostrar a relação entre essa teoria e a prática escolar.

É fácil fazer essa transposição para a sala de aula?
VERGNAUD
 Nem sempre. Mas, se não levamos os resultados das pesquisas para a sala de aula, perdemos muito. Na maioria dos campos da Ciência, existe a percepção de que, se alguém cria uma teoria, isso é bom. Em Educação, essa idéia infelizmente não é tão difundida. Muitos resistem às descobertas por acreditar que basta repetir o que é feito há séculos.

Como aumentar o interesse dos professores pelas pesquisas didáticas?
VERGNAUD
 
É preciso entender que tudo é muito novo. Há 30 anos, ninguém estudava isso. Aos poucos, foram sendo feitos trabalhos para explicar como a criança aprende. Hoje, quando um pesquisador apresenta resultados que mudam conceitos amplamente difundidos, a primeira reação é de surpresa. Em seguida, alguns falam: "Ah, é interessante". Daí a mudar a prática de sala de aula, leva tempo. A Teoria dos Campos Conceituais está apenas começando a ser utilizada nos cursos de formação.

Mas os ganhos para quem usa esse conhecimento são enormes.
VERGNAUD
 Sem dúvida, porque o professor passa a compreender melhor o que faz em classe. No caso da Matemática, é muito claro que as crianças têm necessidade de assimilar aquilo que pedimos que elas façam. Por isso, temos de propor situações nas quais a soma faça sentido, a subtração faça sentido - e isso vale para a escolha dos dados, não só para as contas. E vale também para o professor. Se ele vê os alunos errar sem entender o percurso que estão trilhando, todo o trabalho se perde, não funciona.

Como o professor consegue sair do estágio de "entender a teoria" para "usá-la na prática"?
VERGNAUD
 
Só com muita formação. Aqueles que usam bem a Teoria dos Campos Conceituais no dia-a-dia são os que voltaram a ela, testaram coisas com seus alunos, cometeram erros, recomeçaram. Só assim é possível dominar o assunto e se sentir seguro na prática.

"Se o professor vê os alunos errar sem entender o percurso que estão trilhando, o trabalho não funciona." 
Como os professores podem interferir nesse processo?
VERGNAUD
 
Jean Piaget disse que o conhecimento é uma adaptação a situações nas quais é necessário fazer algo. Por isso, se não confrontamos as crianças com situações nas quais elas precisem desenvolver conceitos, ferramentas, limites, elas não têm razão para aprender. Isso vale para a escola, mas também para a vida, para a experiência profissional. Em Matemática, por exemplo, insistimos na chamada resolução de problemas - propor situações que as crianças não sabem resolver para fazer evoluir em seus conhecimentos. Portanto, queremos desestabilizá-las. E se desestabilizarmos demais? Elas também não vão aprender. Portanto, gerenciar o aprendizado é gerenciar ao mesmo tempo a desestabilização e a estabilização. Portanto, temos de pensar mais e propor situações corriqueiras aos que estão aprendendo. Sempre fizemos isso, às vezes de forma intuitiva. O que minha teoria propõe é que precisamos pensar de forma mais sistemática. O grande desafio do professor é ampliar as dificuldades para as crianças, mas sabendo o que está fazendo e aonde quer chegar.

O senhor pode dar alguns exemplos de como as crianças constroem o conhecimento matemático?
VERGNAUD
 Aos 5 anos, as crianças já compreendem alguns aspectos da adição. O primeiro modelo que elas aprendem é a reunião de duas partes em um todo: três meninos, quatro meninas, quantas crianças no total? Só mais tarde, porém, elas vão conseguir entender, por exemplo, como saber quantas meninas há no grupo se o total é sete e o número de meninos é três. Na minha pesquisa, descobri que, em média, são dois Anos para passar do primeiro estágio para o segundo. Dois Anos! Outro exemplo é a transformação que tem relação com o tempo, não com o espaço. Eu tinha 4 reais no bolso, minha avó chegou e me deu mais 3 reais. Ou: eu tinha 9 reais e agora tenho 4. O que aconteceu? Parece fácil, mas para uma criança não é. Outro caso: tenho 5 reais a mais do que você. Eu tenho 12, quanto você tem? E ainda há as transformações sucessivas. Ganhei quatro bolas de gude e depois perdi seis. Mais quatro, menos seis. Ah, perdi duas. Não é tão óbvio aos 8 ou 9 Anos. Vamos complicar um pouco mais. Joguei duas rodadas de bola de gude. Sei que perdi seis na segunda e que, no total, ganhei 15. O que aconteceu na primeira partida? Até os 13, 14 Anos, muitos jovens não conseguem achar o resultado. "Não consigo resolver o problema porque não sei quantas eu tinha no início", eles dizem.

O que é possível fazer diante de situações desse tipo?
VERGNAUD
 O que descobri é que há seis tipos de problemas ligados à adição e subtração. E é óbvio que, se os números forem grandes, ou decimais, tudo fica ainda mais complicado. No caso de frações, nem se fala. Na sala de aula, o professor até pode propor atividades, mas, se não souber como os alunos avançam, passo a passo, eles talvez compreendam o jogo proposto, porém não vão saber calcular. Para um adulto, o exercício de subtrair as bolas de gude que ganhou, para saber quantas tinha no início do jogo, pode parecer simples. Mas, aos 7, 8 ou 9 anos, não é nada fácil compreender esse conceito matemático. Mesmo com números pequenos, as crianças costumam ter muitas dificuldades. Se o professor sabe disso e dispõe de uma boa variedade de exercícios para propor, ótimo. Se ele fica numa única atividade, a garotada que não entende a própria proposta do trabalho perde o interesse e nem se preocupa mais em acertar.

A Matemática é difícil de verdade? Por que tanta gente diz não gostar dessa disciplina?
VERGNAUD
 
O problema é que a escola valoriza demais os símbolos e pouco a realidade. Os alunos não vêem utilidade naquilo e pensam: "Isso não me interessa. É abstrato e não serve para nada".

O senhor já esteve no Brasil uma dezena de vezes. É possível comparar a situação daqui com a da França?
VERGNAUD
 
Alguns problemas são semelhantes, ainda que no Brasil o tamanho da rede seja muito maior. A repetência e o analfabetismo, por exemplo, afetam uma proporção muito maior da população. Quando você observa a reprovação na França, no entanto, cai nas mesmas dificuldades daqui: a Língua e a Matemática. O paradoxo é que as crianças aprendem a falar sem dificuldades, mas não aprendem a ler e escrever sem problemas. Isso ocorre porque a função da escrita não é óbvia para as crianças, sobretudo se as famílias não têm o hábito de ler. Se os pais lêem o jornal todo dia, isso faz uma diferença enorme. E aqui há um abismo entre a França, cuja população é muito mais letrada, e o Brasil, onde milhões de alunos chegam à escola sem as noções básicas da estrutura e do funcionamento da língua. Percebo também que muitos professores brasileiros são obrigados a dar aula em mais de uma escola. Na França, as crianças passam o dia todo em classe. Aqui, é um turno só. E há a questão da formação, que também é pior aqui. Não podemos esperar grandes sucessos com professores que são mal formados, trabalham muito e, além de tudo, não são bem pagos na rede pública.

"A questão é que a Educação é considerada custo, não investimento. São os homens que produzem coisas novas, não é o capital." 

O que é necessário mudar na dinâmica das escolas atuais?
VERGNAUD
 
Muitas coisas. A Educação é um universo muito complexo e é preciso enxergá-la como um grande sistema. Se o ministro comete erros na definição das políticas, se não existem objetivos claros e se não há recursos adequados para a formação inicial e continuada, é ridículo responsabilizar o educador individualmente. A responsabilidade pelo fracasso é do sistema. A questão principal é que a Educação das crianças e a formação dos adultos são consideradas custo, e não investimento. São os homens que produzem coisas novas, não é o capital. Só que ainda não sabemos calcular que retorno a formação dá sobre esse investimento.

Qual é o papel da formação docente nesse contexto?
VERGNAUD
 
É primordial, ainda que seja necessário ter consciência de que não existem milagres, que ninguém vai conseguir eliminar todos os problemas de um dia para o outro. Mas, se podemos dar ao professor os meios de conhecer melhor seu trabalho, os limites de sua ação, os obstáculos que vão encontrar e as formas de controlar a evolução das turmas, é absurdo não fazer isso. Eu gosto de uma metáfora da aviação: se não tenho os instrumentos para pilotar, me falta algo essencial para atingir meus objetivos.

Esses instrumentos, no campo da Educação, são a didática?
VERGNAUD
 
Sim, a didática é a chave do conhecimento escolar hoje. Mas é mais do que isso. Precisamos compreender que existe a didática da Matemática, a da Física, a da História etc. E, dentro da didática da Matemática, a das estruturas aditivas não é a mesma das estruturas multiplicativas. E assim por diante. É essencial tomar consciência dessas especificidades dentro da especificidade de cada disciplina, pois elas têm seu papel. O fato novo dos últimos 30 Anos é dizer: "Prestem atenção nas didáticas da Matemática. A da Educação Física não é igual para o vôlei e o tênis, ainda que exista uma relação entre esses dois esportes".

E se não fizermos isso?
VERGNAUD
 
O preço a pagar será o fracasso escolar - ao menos para um grupo de estudantes. Alguns aprendem, mesmo se mal ensinados. Porém outros, mesmo se bem ensinados, fracassam quando o professor não domina a didática. Há quem considere isso um problema dos alunos. "Uns são inteligentes e se dão bem, outros não são e não conseguem." Mas o fato é que existe uma margem de manobra muito importante, um papel essencial a ser desempenhado, dentro da sala de aula, pelos professores. Esse avanço é lento, mas percebo que cada vez mais gente fala essa mesma língua.

fonte : Nova Escola

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Mais de 1.500 mapas digitalizados estão disponíveis no Arquivo Público

Aos interessados, o site do Arquivo Público do Estado de São Paulo disponibiliza 1.507 mapas digitalizados do interior do Estado. É possível consultar mapas de redes de distribuição elétrica, mapas hidrogeológicos, levantamentos plani-altimétrico, mapas de divisas, mapas de relevo, plantas hidrográficas, entre outros.